O Ministério da Saúde anunciou uma série de medidas para reforçar a assistência hospitalar no combate ao novo coronavírus (Covid-19). Os primeiros reforços serão na Atenção Primária, a porta de entrada para receber os pacientes no Sistem Único de Saúde (SUS), para evitar que as pessoas procurem os hospitais em um cenário de grande circulação do vírus.

O governo vai ampliar o programa Saúde na Hora nos municípios, com unidades de saúde que ficarão abertas até às 22h ou aos finais de semana para atender à população e aumentar a assistência hospitalar. O ministério também prepara um edital para o programa Mais Médicos. Os profissionais poderão atuar nas Unidades de Saúde da Família (USF); na organização da rotina de pacientes com doenças crônicas; na disponibilização da telemedicina no auxílio ao atendimento de doentes graves pelo Covid-19; e na ampliação de leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI).

A novidade é que os profissionais poderão atuar também nas capitais e grandes centros urbanos, locais com maior concentração de pessoas e onde o vírus pode ter maior transmissibilidade. O edital vai contemplar também as regiões mais vulneráveis.

Estados e municípios também serão orientados no manejo dos pacientes portadores de doenças crônicas. A ideia é antecipar exames e procedimentos para evitar que essas pessoas tenham de ir à unidade de saúde. A telemedicina será disponibilizada à Atenção Primária, além da Especializada, para que os profissionais de saúde possam trocar informações e impressões por todo o País sobre a evolução da condição do paciente com coronavírus, sobretudo os mais graves.

Na rede hospitalar, o Ministério da Saúde vai atender de imediato todas as solicitações de habilitação de leitos de UTI para que o sistema amplie a capacidade de auto-organização. “Essas medidas são típicas da organização do nosso sistema de saúde pública. Temos um País continental e precisamos nos preparar para todas as possibilidades que esse vírus possa nos trazer”, disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante a coletiva de imprensa, na última sexta-feira (6).

Critérios de vigilância

Agora, todas as pessoas que chegarem ao Brasil de países da América do Norte, Europa e Ásia, e tiverem sintomas como febre, coriza, tosse, falta de ar poderão ser considerados casos suspeitos de Covid-19. Anteriormente, os casos suspeitos eram classificados apenas a partir do histórico de viagem para alguns países com transmissão local da doença.

“Não faz mais sentido classificar pelo nexo de país, mas de viagem ao exterior. Nossos principais voos internacionais vêm da Europa e América do Norte, e considerando que são grandes combinações de destinos ampliam-se as possibilidades de entrada do vírus. Dessa forma já não faz mais sentido olhar apenas por países que estão na lista de transmissão local ou comunitária”, esclareceu o ministro.

A vigilância epidemiológica brasileira continua considerando nexo causal viajante que chegam ao País vindos da Austrália, de países da América Central e do Sul, que estejam na classificação da OMS como de transmissão local.

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